Minas ainda é área de risco de febre amarela

Minas ainda é área de risco de febre amarela

José Geraldo Leite Ribeiro / Assessor Científico em Vacinas do Grupo Hermes Pardini – CRMMG 13231

O Estado de Minas Gerais, incluindo a capital Belo Horizonte, é classificado como intensa área de circulação do vírus da febre amarela, em seu ciclo silvestre, desde o final de 2016, e essa situação ainda permanece neste início de ano, de acordo com o Centro de Informação em Saúde ao Viajante da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Há dois anos tivemos a maior epidemia da doença na história do estado. No entanto, a redução no número de casos não significa que possamos deixar de ter atenção à febre amarela, que é uma doença infecciosa, não contagiosa.

Ela é causada por um vírus do gênero Flavivirus, transmitido pela picada de mosquitos vetores dos gêneros Haemagogus e Sabethes na sua forma silvestre. A doença é endêmica nas áreas de matas da América do Sul e da África, e pode ocorrer sob a forma  de surtos e epidemias nas áreas urbanas, com impacto em saúde pública.

A vacina tem aplicação em pessoas a partir dos 9 meses, portanto é fundamental que os pais tenham cuidado redobrado com seus bebês. Além disso, os níveis de anticorpos encontram-se adequados para proteger o indivíduo vacinado somente após 10 dias da vacina, o que determina que as pessoas se programem, principalmente quando forem fazer alguma viagem para áreas endêmicas.

A documentação adequada da vacinação (registro no cartão de vacinas) é importante nesse momento, na definição de casos e definição do percentual da população imunizada.  Até o momento, não foi identificado o vírus no mosquito do gênero Aedes, responsável pelo ciclo urbano da doença.

Como em Minas Gerais a forma silvestre é a que ocorre, a doença é transmitida aos primatas não humanos (macacos, micos, etc), que são as principais vítimas. O encontro desses animais doentes ou mortos deve alertar para presença da doença. É importante que eles não sejam maltratados, pois não transmitem a doença.

Sendo assim, a principal estratégia de prevenção da doença é a vacinação. A vacina da febre amarela, segundo indicam os estudos acumulados ao longo dos anos, protege de 95% a 98% dos adultos vacinados, sendo considerada altamente eficaz e segura na prevenção da doença. Cabe salientar que não há vacina que alcance 100% de eficácia na prevenção das doenças infecciosas, e que um percentual pequeno da população imunizada não desenvolverá proteção contra a febre amarela, assim como também é observado em relação às várias outras vacinas disponíveis no PNI (Programa Nacional de Imunizações).

A vacina de Febre amarela é uma vacina de vírus vivo atenuado. É uma das vacinas mais eficazes e seguras mas, no entanto, eventos adversos graves podem raramente ocorrer relacionados especialmente à primeira dose, e estão associados à disseminação do vírus vacinal. São considerados eventos adversos graves aqueles relacionados a reações alérgicas com anafilaxia, doença neurológica aguda com encefalites, e a doença viscerotrópica que mimetiza o quadro grave causado pelo vírus selvagem. São considerados pacientes suspeitos de eventos adversos graves aqueles que apresentem os sinais descritos até 30 dias após o recebimento da vacina.

A Organização Mundial de Saúde, em julho de 2013 revisou o documento normativo vigente desde 2003 e estabeleceu que uma dose da vacina seria suficiente para a proteção por toda a vida. Dessa forma, o Regulamento Sanitário Internacional foi alterado em maio de 2014, estendendo a validade do certificado internacional de vacinação contra a febre amarela dos atuais 10 anos para toda a vida do vacinado.

O Ministério da Saúde do Brasil, analisando as evidências científicas disponíveis sobre a duração da imunidade conferida e a situação da doença no Brasil, divulga então, em dezembro de 2014, Nota Técnica estabelecendo novas recomendações sobre a vacina. O documento passa a orientar a aplicação de duas doses no território nacional, considerando a queda na imunidade com o tempo da vacinação e a menor imunogenicidade da mesma quando aplicada em lactentes.

No entanto, em abril de 2017, diante da situação de surto vivida em alguns estados do país, o Ministério da Saúde passa a recomendar a vacinação em dose única, seguindo a orientação da Organização Mundial de Saúde em 2013, e estabelece como população alvo para a vacinação as pessoas com idade superior a 9 meses.

Mulheres amamentando crianças menores de 6 meses, não vacinadas, devem ser vacinadas se residirem ou se deslocarem para área com transmissão ativa da doença (município com caso da doença ou epizootia confirmada). O aleitamento deve ser suspenso por 10 dias após a vacina.

Pessoas acima de 60 anos, não vacinadas, residentes ou se deslocando para Minas Gerais, devem ser vacinadas.

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